Às vezes, há vezes em que me apetece uma banheira.
Quantas vezes, não me passa pela cabeça ir dormir a um hotel, só por uma noite, para me poder deliciar com um banho de banheira e de cabeça!
Imaginar as minhas pernas, cansadas, habituarem-se àquela água, demasiado quente, arrepiar-me com esse escaldar de pele, submergir-me naquele silêncio submarino, profundo, compassado ao meu respirar, as veias, dilatando-se, pulsando não só nos pulsos, nas pernas cansadas, que agora descansam...
Em paz!
Não suportar aquele calor que me tapa todos os poros, sentir a pressão descer, descer, quase desistir, querer respirar por todos os poros, emergir, e sentir o novo arrepio do choque térmico, metade de mim, a telintar, a outra metade, em pleno inferno, ligar a torneira de água fria ou esperar um pouco mais, que a água, esse quase óptimo condutor térmico, arrefeça...
Submergir, de novo...
Ouvir, novamente...
Pensar que não se pensa...
Pensar como não é possível não se pensar em nada, de facto.
Mesmo de olhos fechados.
Mesmo somente com o silêncio de nós mesmos, que não é possível.
Afinal, é só uma banheira.
É só imaginação.
Imaginação que quase posso dizer verdadeira, tocável.
Verdade de sentir o vazio, o frio, o calor, o silêncio, a pressão, desaparecendo.
Ressurgindo, nesse pensar constante.
Puxar a tampa...
Ouvir o ecoar dos canos...
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